Páginas

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Eu, tu, nós



Meu bem, esse ano eu pedi o teu amor pro Papai Noel.
Tu é minha promessa de ano novo.
Só quero ficar contigo seja aonde for, aqui ou lá no céu.

Meu amor, vou fazer de tudo pra gente ficar junto.
Vou erguer as mãos pro céu em oração pra conquistar o teu amor.
Por ti vou na cartomante, jogo búzios e tarô.

Vou costurar nosso nome na boca do sapo.
Vou fazer uma simpatia pra te conquistar de vez.
Vou escrever tuas iniciais na minha pele.
Vou cultivar um trevo de quatro folhas e mandar benzer.

Pelo nosso amor aprendo todos os mantras e a rezar Ave-Maria.
Escuto o CD do Padre Marcelo Rossi, faço mandinga e bruxaria.
Por ti ponho o Santo Antônio de cabeça pra baixo, acendo vela pro Negrinho do Pastoreio e na esquina faço despacho.

Faço reza braba, tomo passe, dou dinheiro pro pastor.
Uso calcinha vermelha no ano novo, tomo banho de sal grosso, vou no Programa da Márcia declarar todo o meu amor.

Vou ler a bíblia do gênese ao apocalipse quantas vezes for necessário.
Viajo até a Bahia só pra amarrar a fitinha do Senhor do Bom fim e entregar meus piores pecados no confessionário.

Vou escrever uma carta pro Papa nos abençoar.
Vou aprender a andar num pé só que nem Saci.
Sou capaz de fazer qualquer coisa só pra te ter aqui.

Vou pedir pro padre rezar um missa em nossa homenagem.
Vou pedir teu amor pra mãe de santo no terreiro.
Vou pular onda no Guaíba.
Vou pedir ao Cupido, quando te flechar, que seja certeiro.

Vou dar um gole pro santo.
Vou meditar no templo budista da Redenção.
Cruzo os dedos, solto foguete.
Faço o que tiver que fazer pra conquistar teu coração.

Vou contratar um guru pra quebrar qualquer tabu, vou carregar uma ferradura sem frescura.
Tu vai ver, nosso amor vai ficar cada vez mais forte.
Por ti vou andar o mundo inteiro pra fazer meu patuá.
Vou comprar o biscoito da sorte, vou fazer oferenda pra Iemanjá.

Vou te psicografar uma carta de amor e até o Polvo Paul consultar.
Tudo isso pra esse nosso amor eternizar.
Namastê! Oxalá!

sábado, 25 de dezembro de 2010

Sempre igual



Todo final de ano é a mesma coisa. É sair pra comprar presentes de última hora e enfrentar filas desumanas nos shoppings. É arrumar briga nos estacionamentos por causa de vaga. É reunir a família pra comemorar uma data que ninguém sabe direito o que é. É quase querer desistir da vida com a programação de fim de ano da TV.

E reunir a família é sempre a mesma coisa. Parentes distantes que deveriam continuar distantes. Aquela gente que parece que se reúne só pra reclamar da vida, fazendo um verdadeiro campeonato de desgraças, cada um querendo fazer o papel de vítima protagonista. Tudo isso, fora aqueles presentes que só vão ocupar espaço em nossas vidas, pois nunca chegarão a ser utilizados.

O natal tem seus personagens típicos e eu não estou falando do Papai Noel, do Jesus Cristo ou do Roberto Carlos. Me refiro à tia que sempre dá aqueles presentes de deixar qualquer um com vergonha. Ela esquece que às vezes a gente só quer um presente normal, que não precisa ser nada criativo. Me refiro ao pai, que sempre ganha meias ou cuecas, como se essas fossem as únicas necessidades de um homem. Me refiro também ao tio que enche a cara e começa a falar “verdades”. Confesso que esse é o meu personagem preferido, contanto que ele não se lembre da minha existência. O tio faz o papel que nunca temos coragem de assumir, traduzindo os nossos pensamentos inescrupulosos em palavras que sóbrios jamais conseguiríamos pronunciar. Ele usa o álcool como facilitador social e não sofre sansão alguma. Eu quase conseguiria sentir inveja, se a situação não fosse tão medíocre. Até acho que todo mundo passa a “mão por cima” desse tio porque, no fundo no fundo, o seu desabafo é o mesmo desabafo de qualquer um presente na festa de natal.

Todo natal é aquela champanhe meia-boca, aquele calor senegalês cada vez pior (maldito aquecimento global!), aquele amigo secreto que nunca conseguiu ser realmente secreto. Todo natal são desenterradas aquelas musiquinhas-que-nunca-deveriam-ter-sido-gravadas e que grudam na cabeça da pobre criatura, sem contar o parente que sempre ressuscita o cd da Simone. Todo natal as mães se reúnem pra exibir e comparar seus filhos aos das outras e, de quebra, falar mal de mães alheias. Todo natal as pessoas comem dizendo – da boca pra fora – que não deveriam comer tanto, mas sempre dão panetones de presente.

Acho que é isso: o natal é a festa da “boca pra fora”, a celebração máxima da hipocrisia. É quando começam a surgir todas aquelas promessas-que-vão-mudar-a-sua-vida para o ano novo, mas que não vão passar da ressaca do réveillon.

E o mais engraçado de tudo isso? Todo mundo sabe e concorda com as coisas que eu disse e mesmo assim não faz nada para mudar. É essa perpetuação da hipocrisia que me incomoda. Por que ninguém dá o primeiro passo pra modificar essa situação? O que mantém as pessoas nessa inércia de final de ano? Será que todos só reclamam da boca pra fora?

Acho que é medo de assumir que o ano não foi como pretendíamos, que fracassamos na realização dos nossos sonhos. É muito mais fácil seguir o ritmo que mudar o andar da carruagem.

Com certeza podemos ser pessoas melhores. Mas pra isso é preciso ação. Cabe a cada um fazer acontecer.

#porumnatalsemhipocrisia

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Primeira pessoa



Desculpa seu eu escrevo em primeira pessoa. Jamais sabeira fazer diferente.

Eu não sei por que mãos tu já passou. Eu não faço idéia o quanto teu coração foi ferido. Eu não sei o quanto tu já amou nessa vida. Nem imagino o quanto tu já sofreu.

Eu também não sei quantas lágrimas já rolaram por minha causa. Não sei quantos corações eu já iludi. Não sei quantas pessoas eu consegui fazer feliz. Nem sei se sou boa pessoa.

Só sei que hoje estou disposta a tentar te entender. Abro mão do que for pra curar as tuas feridas que o tempo ainda não deu um jeito. Vou consertar nossos corações. Faço o que tiver que fazer pra conquistar teus sorrisos sinceros. Vou te fazer feliz, juro.

Vou guardar cada beijo como se fosse o último, pois sempre guardei cada um dos teus olhares como fossem únicos – porque são. Não me canso de repassar um por um na minha memória, sei todos de cor. Se fecho os olhos, então, sou capaz de escutar todas aquelas frases prontas que tu me dizia.

Não ligo mais toda vez que for trocada por uma pilha de trabalhos trazida pra casa – até sou capaz de ajudar. Não vou me importar passar horas discutindo assuntos que eu não gosto, mas que te fascinam. Não vou ligar pras tuas perguntas sem cabimento. Eu vou amar o teu silêncio a cada não resposta. Vou agüentar tuas implicâncias até tu sentir vontade de me dizer coisas doces.

Tu nem sabe, mas te ponho pra dormir e zelo pelos teus sonhos todas as noites. Te escrevo coisas lindas todos os dias. Meço cada vogal, cada consoante, só pra me assegurar que as minhas palavras são em favor da tua felicidade. Vou dosar minha sinceridade na medida certa. Vou ter que mandar beatificar teu sorriso.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Poeminha



Tenho uma amiga que nao lê meu blog, mas que vive reclamando que eu não escrevo nada pra ela. Mal sabe ela que coloco todos que amo em meus textos. Infelizmente, hoje ela vive um desses "percalços" que só uma vida bem vivida é capaz de proporcionar. Como eu sempre digo, a dor é um dos sentimentos que mais une as pessoas. Em tua solidariedade e homenagem.



Fico sem ar, sem chão, sem posição para me acomodar.
Se fico sem dormir, como um dia vou acordar?

Fico sem entender, fico triste.
Estou assim desde que partiste.
Fico muito mal, fico louca.
De agora em diante, quem será o dono dos beijos da minha boca?

Posso facilmente rimar amor com dor, mas o que sinto é decepção.
Como faz pra consertar o coração?
A minha respiração fica por vezes sem ar.
Acho que preciso aprender a praticar perdão com as pessoas que não sabem amar.

Com esse calor estão chegando as férias.
Quem sabe assim eu não me agarre a outras idéias...
Quero ver o mar para consolar as minhas lágrimas.
Quem sabe assim eu consiga virar a página...

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Ser borboleta



Cada um acredita no que quer, no que lhe faz mais feliz. Eu acredito em borboletas.

As borboletas trabalham nossos cinco sentidos como poucos. Elas colorem nossa visão, perfumam nossa existência, são doces como o mais açucarado sabor, são ensurdecedoramente silenciosas e, quando pousam sobre nós, nos acariciam encantadoramente.

As borboletas são seres mágicos, com um vôo inocente. Conseguem acompanhar perfeitamente a brisa do vento, sem perturbações. São capazes de fazer as trajetórias mais bonitas e tranqüilas que podemos um dia presenciar. As borboletas são os seres mais suaves que existem, incapazes de aborrecerem alguém. E o que têm de belas, têm de frágeis. São encantadoras e enigmáticas ao mesmo tempo. Nunca entendi  de onde sai toda aquela leveza... Jamais compreenderei como conseguem ser tão livres...

As borboletas conhecem intimamente o milagre da vida. Elas carregam humildemente o pólen que é transformado nas lindas flores que habitam nosso dia-a-dia,  nos trazendo beleza e alegria. São divinas. Só assim para entender por que dizem que borboletas são flores que voam...

Se já não é suficiente, as borboletas ainda nos dão uma lição de moral com as suas metamorfoses. Nos ensinam que na vida é preciso passar por mudanças radicais, que devemos sempre evoluir, que o mesmo ser pode assumir aparências diferentes, mas sua essência continuará sendo a mesma. As borboletas são os seres mais confiantes do universo, pois parecem sempre saber exatamente o caminho que devem seguir.

Além de tudo, as borboletas sempre trabalham em favor da nossa felicidade. Quando estamos apaixonados, elas fazem questão de se instalarem em nossa barriga, para nos proporcionar aquelas sensações gostosas, que todos os amantes conhecem. Dessa forma, elas compartilham conosco um pouco do seu agradável estado de espírito, sem exigir nada em troca. São seres incrivelmente incríveis.

Como eu não poderia acreditar?

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Felicidadeeee, com F maiúsculo e E estendido



Já escrevi muitas coisas sobre felicidade aqui no blog. Aqui vai só mais um post.

A felicidade precisa de barulho. É para ser cantada aos quatro cantos e não escondida a sete chaves.

Dizer-se feliz não quer dizer nada. Tem que sentir lá dentro, tem que demonstrar, tem que estar escrito na testa, ficar registrado no sorriso, tem que estar presente na respiração. Felicidade tem que TRANSPARECER. A felicidade é para ser multiplicada, não é algo para ser se usufruir sigilosamente. Não tem como se esquivar ou despistar: ninguém é feliz em silêncio.

Felicidade foi feita para ser espalhada, é para contagiar. E contagiar envolve o mundo todo, não apenas uma ou duas pessoas. A felicidade nasceu para ser manifestada. É extrovertida. O motivo da felicidade é para ser exaltado. O nome da felicidade de cada um é para ser escrito deliciosamente com todas as palavras, de forma explícita, não em metáforas, mensagens subliminares ou de forma figurada. Felicidade de verdade mesmo não vê limitações ou proibições. Ser feliz em segredo não existe, é ilusão. Não existe felicidade na clandestinidade.

Quem é feliz de verdade entende o que eu quero dizer e deve ter achado minhas palavras óbvias demais. A felicidade é doce. Quando estamos felizes não nos agüentamos em si, somos obrigados a compartilhar. Felicidade não dá pra disfarçar.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Loucura



Doida. Daquelas capazes de mudar qualquer coisa a qualquer hora. Que ignora a zona de conforto. Ou que talvez a zona de conforto seja realmente estar sempre em alteração. Tão doida que é capaz de fazer o que não gosta. Doida de questionar o inquestionável e ainda convencer deus e o mundo do que bem entender. Doida de conseguir achar uma opinião diferente de todas as outras já existentes. Tão doida que consegue esconder o que sente e contar pra todo o mundo ao mesmo tempo.

Doidíssima. Daquelas capazes de abrir mão do amor da sua vida. Doida que não tem medo de deixar esse mundo. Tão doida que esquece as refeições. Doida que viaja 800 km só pra conseguir respirar de novo, ou que viaja esses mesmos 800 km só para poder sentir saudade. Doida que coloca no papel os sonhos que tem e faz um check-list de tudo o que precisa pra realizá-lo e realiza. Doida de deixar coisas inacabadas só para ter um ponto final.

Tão doida que não acredita em proibições de qualquer tipo, afinal doidos não gostam de limitações. Doida daquelas de contrariar todo o mundo. Doida de chorar a noite inteira. Doida que troca o sono por papel e caneta. Doida que troca tudo o que tem por nada, só para começar tudo de novo. Doida que não tem medo de dar tchau ou de se sair sem se despedir pra nunca mais voltar. Tão doida que adora trocar o certo pelo incerto.

Doidona! Doida que acha que “se virar nos 30” é perda de tempo. Doida daquelas de conversar com as flores. Tão doida que até as borboletas a seguem. Doida daquelas que ainda escrevem cartas de amor, que fazem poesias, que mandam cartas manchadas de batom. Doida capaz de largar tudo o que ama pra ter tudo o que quer. Doida capaz de largar tudo o que quer pra ter tudo o que ama. Tão doida que só faz pensar em outro doido.

Acho que é isso: doida procura doido. Doida doidíssima procura doido doidão para doideiras doidonas.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Olhos



Olhos ávidos, atentos. Olhos que compreendem tudo o que vêem e por isso estão sempre há procura de algo diferente. Buscam qualquer coisa singular, por menor que seja; qualquer coisa que possa causar um ponto de interrogação. Olhos capazes de entender uma pessoa bem mais do que ela própria se entende. Olhos que sabem separar emoção de razão. Olhos de leitura dinâmica, de leitura profunda. Olhos que lêem – no mais profundo significado do verbo – o que está escrito e o que não está. Olhos que sabem ler o que está escrito nas entrelinhas, nas mensagens subliminares ocultas. Olhos que enxergam o significado intrínseco, que enxergam o implícito. Olhos que, ao ler, são capazes de compreender o que a pessoa pensou na hora em que escreveu. Olhos que analisam todas as vírgulas, todos os pontos finais, cada exclamação, as repetições, cada letra ausente nas abreviações. Olhos que enxergam padrões em tudo o que lêem e que por isso procuram resquícios da menor alteração possível, em busca de algo que fuja do comum. Olhos que gostam do inesperado que quase nunca acontece. Olhos que entendem as coisas antes de elas acontecerem.

Os mesmo olhos que brilham a cada vez que enxergam um futuro feliz são os que caem em lágrimas cada vez que lembram o passado.

São olhos que se curvam a cada vez que mentem para o seu dono. Olhos que não fecham à noite e ficam vagando pela escuridão.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Flor



Hoje coloquei meu nome numa flor. Ela surgiu em minhas mãos, caída dos céus. Tanto lugar e foi parar justamente entre meus dedos. Às vezes a gente fica cobrando uma resposta do universo, de deus, do destino, da vida – sei lá como cada um chama – e não percebemos que o que tanto procuramos pode estar em nossas mãos.

Fiquei me perguntando o que aconteceria com aquela flor dali pra frente. Ela era lilás, exatamente do mesmo tom da blusa que eu estava usando. Não poderia ser mais óbvio.

Com certeza, essa flor não vai permanecer em cima do banco, onde a deixei. Provavelmente ela vai voar por aí. Pode ser que ela percorra um longo caminho; talvez não vá muito longe. Talvez seja pisoteada sem dó por uma pessoa qualquer. Talvez, se fosse cuidada, poderia dar origem a outras como ela.

Uma flor frágil, exalando os últimos suspiros daquela vida. Uma flor que poderia ter caído no chão, como tantas outras, mas que escolheu cair chamando a atenção. Uma flor que, definitivamente, sabe cair. Uma flor que de repente vai ser percebida por alguém, que intrigado vai pegá-la na mão e perguntar “quem é essa flor?”, “de onde veio?”. Alguém que pergunte “por quê?” ou, num momento de maior lucidez, “por que não?”.

Por via das dúvidas, eternizei minhas iniciais nela.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Ai, ai...



Conheço esse silêncio. É um silêncio que tem medo de falar o que pensa. É o silêncio que tem medo de revelar o que quer. Um silêncio que consome sentimentos que deveriam ser livres. Um silêncio observador, que sofre. Mas que sofre em silêncio. Um silêncio ensurdecedor. Que em vez de morar no coração, mora na cabeça. Um silêncio que a todo custo tenta ser tranquilizador, mas nem chega perto disso. É um silêncio inquieto, que perturba. É um silêncio que não gosta de ser silencioso. Um silêncio que tem muita coisa pra dizer, mas não diz nada.

É um silêncio que canta todas as noites. É um silêncio que não consegue dormir e fica incomodando. É um silêncio que não quer permanecer calado.

Um silêncio bobo, fanfarrão. Que não deixa em paz. Que faz questão de não passar despercebido. Que gosta de tirar do sério.

Um silêncio burro. Que se fosse colocado pra fora resolveria o mundo.

Um silêncio que me cerca, me envolve, que me instiga a decifrá-lo. Um silêncio que quer sentar do meu lado e pegar minha mão. Um silêncio que eu quero ouvir de pertinho.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Desamor




Tu já parou pra pensar em desamor? Alguém aí sabe o significado de desamor?

Numa análise rápida, alguém pode me dizer que desamor é o contrário de amor. Mas não é, pois o contrário de amor é ódio. E então, o que é desamor?

Desamor é falta. Falta de interesse na pessoa amada. Falta de significado na relação, “vulgo” indiferença. Desamor é falta de amor. Falta de sentimentos nobres. Falta de carinho. É onde deveria ter muito amor, mas não tem. Desamor é uma mistura de aborrecimento, desafeição, desapego e desprezo. Desamor é crueldade.

Desamor é silêncio. Uma prova eloqüente de desdém. Desamar é não dar atenção. Desamor é estar insatisfeito consigo mesmo; é viver num mal-estar constante; é sofrer de desconforto emocional.

Sofre de desamor quem não ama a si próprio. Sofre de desamor quem ama mais o outro do que a si mesmo. Desamor é um relacionamento amoroso insatisfatório, seja ele como for.

Mulheres reconhecem um desamor de longe, pois são constantes vítimas desse sentimento. Ele geralmente é originário dos homens, que sempre têm dificuldade em expor o que sentem. Não raro eles disfarçam sua inabilidade amorosa com um comportamento promíscuo, às vezes agressivo, ou simplesmente abrem mão do que sentem.

Na busca desenfreada por um amor, por um relacionamento para dar satisfação aos outros ou a si mesmo, a cobrança de constituir família, entre outros, existe um risco muito grande de tudo dar errado. As vítimas de desamor são carentes. São aquelas pessoas que estão sempre precisando de um abraço, que têm medo de compromissos, que precisam ouvir constantemente que são amadas. O histórico dessas pessoas é permeado de sofrimento, mágoas e decepções.

As pessoas que sofrem de desamor não sabem romper com essa situação porque sempre acabam buscando fórmulas prontas. Elas acham que usando dicas de livros de auto-ajuda vão conseguir resolver seus problemas. Acham que seguindo modelos pré-estabelecidos vão encontrar as respostas de que precisam. Doce ilusão! Como se fosse possível conhecer uma pessoa somente convivendo com ela. Como se o diálogo fosse suficiente. Como se amor não precisasse de improvisação, de ineditismo, de sinceridade.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

A diferença



Eu não preciso pedir desculpas pra ninguém. Eu não brinco com os sentimentos alheios. Eu não preciso mandar flores pra me desculpar. Eu não preciso procurar mensagens românticas na internet porque não sei escrever. Eu não preciso dar presentes pra dizer o que sinto. Eu não preciso disfarçar no telefone. Eu não preciso agredir alguém para me sentir melhor.

Muito pelo contrário. Eu ligo pra dizer bom-dia, boa-tarde ou um boa-noite. Eu ligo para dizer palavras bonitas, sinceras, escritas com o meu coração. Ligo porque não sou egoísta, ligo porque sinto saudades alegres. Ligo porque me importo. Ligo porque não me cobram ligações. Eu escrevo coisas lindas pra quem julgo valer a pena. E escrevo coisas lindas pra quem não vale nada também. Coloco o bem-estar de quem amo acima do meu, e faço isso de olhos fechados, sem medo de errar.

Recebo tudo o que faço de bom em dobro. Recebo sinceridade, carinho, bondade, tudo em doses cavalares. Recebo palavras de incentivo, cartas de amor, lugares inesquecíveis, noites inspiradoras, coração quente, felicidade simplificada, amor doce, olhares penetrantes, carinho revitalizador.

Eu tenho o mundo aos meus pés. E nesse mundo só tem pessoas boas. Aqui pessoas más não existem, pessoas invejosas estão em falta, orgulhosos e egocêntricos estão em extinção. Aqui só tem do bom e do melhor. Não tem espaço para nenhuma pequenez.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Realização



Como é bom colocar um sonho em prática. Mas não desses sonhos "tipo" desejos, planos, metas. Tô falando de sonhos “sonhados” mesmo. Aquele sonho, que surgiu numa noite como quem não quer nada, que parecia sem importância, livre das nossas intenções. O sonho em si não é “tudo isso”; o ato de realizar é que conta. É onde a realização ultrapassa o significado. Se sonhar é bom, realizar é melhor ainda.

Sonhei despretensiosamente. E, por motivos desconhecidos, coloquei esse sonho no papel. Será que um dia eu tive esperança de realizá-lo? Talvez, pois, como dizem, a esperança é a última que morre. Só sei que se não o tivesse escrito, não lembraria tão perfeitamente de cada detalhe. E só assim também pude aprender como os detalhes são importantes, como fazem toda a diferença, como transformam as coisas, como dão mais sentido à felicidade.

Como é bom encontrar alguém disposto a realizar nossos sonhos. Como é bom ficar perto de alguém que nos incentiva, que dá asas a nossa imaginação.

O sonho é uma pintura e sua realização é uma obra de arte. A repetição que leva à perfeição.

Ele e ela. O mesmo deslumbramento. No mesmo lugar. O mesmo frio na barriga. As mesmas roupas. As mesmas palavras não planejadas. Os mesmos olhares. A mesma trilha sonora. A mesma noite. O mesmo sonho.

Sonho bom, sonho leve. Tão leve como me sinto e tão leve como as palavras que aqui escrevi.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Alguém



Ele quer uma pessoa igual a ele. E isso eu não posso ser. Tenho personalidade demais, tenho vontade própria, tenho idéias originais, sei pensar e fazer planos sozinha, tenho uma opinião singular pra tudo.Ele é cheio de regras e eu não faço força pra não quebrá-las.

Não quero viver com alguém que queira me mudar. Não quero viver na sombra de alguém. Não quero ficar com uma pessoa que quer que eu seja igual a ela, que goste das mesmas coisas, que tenha os mesmos pensamentos, que freqüente os mesmos lugares, que ouça as mesmas músicas, que leia os mesmo livros, que veja os mesmos filmes, que tenha os mesmos vídeos no canal do YouTube, que tenha os mesmos amigos, que estude as mesmas coisas... Não quero alguém que queira me moldar.

Quero alguém que seja sincero consigo mesmo, que respeite a minha opinião, que entenda a minha (in)diferença. Quero alguém ávido por conhecer coisas novas, alguém aberto às minhas idéias, alguém que me deixe ser do jeito que sou. Alguém disposto a compartilhar loucuras, alguém que consiga esquecer o mundo em 2 segundos, alguém que não se importe com as opiniões alheias, sem falso moralismo ou hipocrisia, alguém que não tenha tantos problemas pessoais, alguém que não se meta em brigas desnecessárias, alguém que goste de perder a razão.

Alguém que adore conversar com crianças, alguém que não deixe escapar nenhum minutinho da nossa preciosa existência, alguém que saiba escrever corretamente, alguém que ache desnecessário ser orgulhoso,  alguém que saiba aceitar um não. Alguém que saiba levar um fora.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Adoro



Esse tom de voz baixo não combina contigo, nem te dá mais razão, e não te faz uma pessoa melhor. Esse sorriso falso, de nervoso, também não. Essas palavras da boca pra fora não me alcançam mais. O teu olhar já não me convence mais. Esse teu jeito calmo nunca me enganou.

Gosto do teu medo. Me divirto secretamente com as tuas hesitações. Quase invejo o teu jeito de sofrer não sofrendo. Não tenho paciência pras tuas feridas. Não gosto do teu passado. Desconheço os teus planos. Não gosto do jeito que tu me trata. Adoro o teu pesar de mentir pra mim. Odeio teu jeito controlador. Adoro quando tu te entrega. Adoro quando tu acha que me engana. Não gosto do teu jeito de encarar a vida. Odeio tua falta de atitude. Odeio a tua mania de colocar a culpa no outros. Tua razão é insuportável. Teu cheiro me tranqüiliza. Teu nervosismo me deixa nervosa. Teus olhos me prendem a atenção. Adoro te ver corar. Adoro tentar adivinhar teus pensamentos. Odeio quando tu tenta adivinhar os meus. Odeio quando tu me cansa. Não gosto quando tu despeja teu orgulho em cima de mim. Adoro quando tu me pede pra ficar, mesmo que da boca pra fora. Odeio quando tu te vinga de mim. Adoro quando tu me enrola. Amo amo amo quando tu escreve pra mim. Odeio não conseguir acreditar nos teus elogios. Amo a simplicidade que tu não tem. Amo teu jeito safado. Adoro te corrigir, mesmo que não seja um  privilégio só teu. Adoro quando tu escreve errado só pra me fazer feliz. Adoro te ver. Adoro não te ver. Adoro sonhar contigo. Adoro sair de casa só pra te ver. Adoro me arrumar pra ti. Adoro quando tu te perde em mim. Adoro quando tu tem tempo pra mim. Adoro te ignorar. Amo quando tu te importa comigo. Amo quando tu me dá atenção. Adoro quando tu me incentiva. Odeio quando tu me maltrata. Adoro quando tu acredita em mim. Adoro quando tu não desiste de mim. Adoro quando tu me deixa ir.

Amo escrever pra ti.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

As mentiras que eles contam


Tenho uma tese que diz que os momentos felizes de um relacionamento são únicos. Os de crise, são sempre iguais. 

Ele, sem nada pra fazer, diz : - Tu me perdoa?
Ela, pega desprevinida, responde: - Não. (É sempre melhor começar com um não).
Ele, fazendo drama: - Tu não vai me desculpar nunca?
Ela, entrando no clima: - Desculpar, eu já desculpei. Mas perdoar não dá.
Ele: - Por quê? (Incrível como os homens sempre fazem essa pergunta. Crianças grandes!)
Ela: - Porque voltar atrás, se eu ando pra frente? (Boa, essa!)
Ele: - Mas nós podemos consertar!
Ela: - Tu prefere um brinquedo novo, ou um consertado? (Há!)
Ele: - V...
Ela, sendo sincera, dizendo realmente o que sente: - Desculpa, é que eu fico braba quando tô longe de ti...

Ele, canalha mode on: - Mesmo assim, saiba que tu é uma mulher bastante inspiradora.
Ela: - Diz isso pra todas... (E ela, pra todos).
Ele: - Digo nada!
Ela: - Vai saber...
Ele: - É, vai saber...

Ele, de novo: - Tu é engraçada, divertidíssima!
Ela: - Sempre desconfiei que tava fazendo papel de palhaça...
Ele: - Tu nem gosta de mim! (Tava demorando!)
Ela: - Claro que gosto!
Ele, fazendo a pergunta que não quer calar: - Então por que nunca demonstra?
Ela: - Demonstro, sim! Tu que não vê!
Ele: - É, não vejo mesmo... (É, bonitinha. Perdeu essa).

Ele, apelando: - Tu tava linda hoje! Como sempre!
Ela, fazendo a reclamação universal feminina: - Tu nem presta atenção em mim...
Ele: - Presto sim!
Ela: - Precisa se esforçar mais, então.
Ele: - É que eu gosto muito de vestidos curtos com meia-calça arrastão. (Apelando de novo).
Ela: - E que homem não gosta, meu querido? (É verdade!)

Ela, tentando do seu jeito consertar as coisas: - Tu não acha que teu blog precisa de um texto novo?
Ele: - Acho. (E então, bonitinho?).
Ela: - Então?
Ele: - Ando meio sem tempo... (Pior desculpa EVER!)
Ela: - É essa vida de excessos que tu leva...
Ele: - Hahaha Nada! Sou comportado! (Pf... Homens! Sempre achando que nos enganam).
Ela: - Aham!
Ele: - Eu ando meio sem palavras... algo não me deixa expressar o que eu sinto. (Olha! Um pouco de sinceridade talvez...).
Ela: - Ihh! Cheio de limitações!
Ele: - Não!
Ela: - E cheio de desculpas também!
Ele: - É... Acho que vou tirar férias do blog.
Ela, lamentando de verdade: - Pena. Gosto do que tu escreve.

Ele: - Tá tudo bem contigo, amor?
Ela: - Tu acha que tá tudo bem comigo?
Ele: - Não...
Ela: - Então?...

Adivinha o placar final dessa história?  Zero à zero. Empacados. Quer dizer, empatados. (O que dá na mesma). Ninguém vence, ninguém ganha. Ambos perdem.

Eu poderia escrever o resto do diálogo, mas não tem necessidade. Como eu disse no início, os momentos de crise são iguais. Aposto de que todo mundo conhece as próximas falas.




Nota de esclarecimento: fiz ficção. Qualquer semelhança com a realidade,  é mera coincidência (embora eu não acredite nelas). É tipo Tropa de Elite 2, sabe... 

Nota de esclarecimento 2: Homens, o mundo não gira ao redor de vocês. Obrigada!

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Felicidade sempre



Ser feliz antes de dormir.
Ser feliz enquanto dormir.
Ser feliz por dentro.
Ser feliz enquanto escrevo.
Ser feliz na presença dele.
Ser feliz na ausência dele.
Ser feliz quando acordo mal.
Ser feliz quando brigo.
Ser feliz quando erro.
Ser feliz quando digo uma coisa querendo dizer outra.

Ser feliz quando não achar a solução de cara.
Ser feliz enquanto a felicidade demorar a chegar.
Ser feliz nos momentos alegres.
Ser feliz quando felicidade for a ordem do dia.

Ser feliz quando leio os textos da faculdade.
Ser feliz quando vejo as pessoas felizes.
Ser feliz quando as vejo tristes.
Ser feliz quando não quero ser.
Ser feliz quando dói.
Ser feliz quando choro.
Ser feliz quando chego atrasada.
Ser feliz quando respiro.
Ser feliz agora.

Quando será que as pessoas sentem necessidade de serem felizes (se é que sentem)?
Quantas vezes por dia elas pensam em felicidade?
Quantas vezes elas repetem a palavra felicidade?
Qual é o teu conceito de felicidade?
O que te faz feliz? O que te faz infeliz?

sábado, 16 de outubro de 2010

O lado negro dos leoninos



Texto que recebi por email. Porque de vez enquanto é bom ler algo que faz sentido.

Leão é o líder, o rei , o brilho , mas inseguro, precisa de adornos e mimos, senão, sua auto estima é como a de uma ameba na quaresma. Quer levantar um leonino? Elogie-o, finja que a opinião dele é a suprema, e que sem ele, sua vida seria uma vida vulgar e miserável, típica de personagem secundário de novela do SBT.

Quer derrubá-lo? Ignore-o, ria das suas roupas e modos exagerados ,não aceite suas verdades prontas e você verá este felino louco, chorando pelas selvas da vida.

Leão é bem generoso, sempre dá um bom presente e mesmo quando pobre, ele se destaca pelo bom gosto e pela ambição. Ele sempre será aquele que venderá as garrafas velhas do quintal, para comprar a linda camiseta para o baile da escola.

Leão quando decide conquistar algo ou alguém, é um inferno, porque ele consegue, porque te cerca, te segue, perturba. Sabe aquele magrelo galanteador que te liga toda hora e se acha? É um leão... Aí de raiva, cansaço e curiosidade, você cede só por um pouquinho e descobre que o beijo dele é bom, que ele é carinhoso e quando você percebe... É toda dele, MERDA!

É ciumento, dramático e cheio de barracos.

E cuidado com amantes leoninas. Elas, de alguma forma, conseguem se tornar as primeiras damas, até porque não suportam a hipótese de serem a segunda opção.

As leoninas são rainhas de tudo, o pobre homem que as servir será sempre um súdito. Porque são bravas, gastadeiras e querem atenção o tempo todo. Manhosas, adoram criar um conflito só para no final, ganhar no debate. Mas em geral são fiéis, dedicadas e muito fogosas... Egoístas , podem desequilibrar os parceiros com ciúmes e exigências.

Mas no geral este signo quando está equilibrado(ou seja, no comando de tudo) é cheio de vida, calor e humor. Tem ambição, trabalham bem e sim, querem ser reconhecidos. Amam aparecer, amam o destaque, o palco, a vida. Não existem muitos leoninos por aí. Até porque realeza não se acha em qualquer esquina, pessoas.

Na firma, sobem de cargo rápido e no refeitório, sempre estão ao lado da chefia. E mesmo se for mecânico, com a roupa toda suja de graxa, o cabelo estará impecável, todo leão tem uma relação forte com o cabelo.

Leoninos famosos:
Madonna, Mick Jagger, Caetano Veloso, Jeniffer Lopez, Sean Penn, Emilio Surita, Jack Onassis, Coco Channel, Daniela Mercury, Elba Ramalho.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

É que às vezes cansa demais



Cansa não conseguir dormir de noite. Cansa não dormir dias seguidos. Cansa escrever o que eu sinto. Palavras em vão são muito cansativas. Conversas que não levam a lugar nenhum também. Cansa acordar com o rosto inchado de tanto chorar. Cansa ter que dormir do lado de uma caixa de lenços de papel. (Aliás, papel foi feito para ser rabiscado, não encharcado por lágrimas doloridas). Cansa ter que consertar a  maquiagem borrada.

Cansa ver o travesseiro umedecido pelo choro. Cansa perder a fome. Cansa essa falta de apetite. Cansa beber de estômago vazio e passar dois dias vomitando. Cansa ver as pessoas que eu não quero ver. Cansa  descobrir coisas que eu não quero descobrir.

Estudar cansa. Estudar o que eu não quero estudar cansa mais ainda. Trabalhar cansa. Ser uma pessoa espirituosa cansa. Cansa fazer de conta que nada aconteceu. Cansa ter que dar explicações. Cansa ouvir difamações a meu respeito. Remédios pra dormir cansam. Cansa ver as noites passarem em cinco minutos. Cansa olhar pro vestido comprado, mas que não vai ser usado. Cansa freqüentar os mesmos lugares. Cansa essas horas vazias. Cansa essa falta de concentração. Cansa ter as vontades negadas.  Cansa ouvir falar mal da vida alheia. Cansa minha beleza. Cansa minha paz.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Quero-quero



Ele tenta me achar em outros textos. Tenta me encontrar em outras histórias. Tenta me reconhecer em outras personagens. Sinto muito, meu bem, pois não vais encontrar. É, tenho más notícias: ainda não fui escrita. Não adianta me procurar em outros textos, em outros poemas, em outras frases, em outras palavras. E digo mais, baby: essa história só pode ser escrita por ti. Só tu tens essa capacidade. Só tu tens a permissão divina para fazer isso. Quero que tu coloques a tua criatividade em prática. Quero ver teu talento. Vou te deixar livre nessa, nem vou te corrigir. Quero ver tuas palavras. Quero ver como tu é bom.

Não adianta te esconderes atrás do que já foi escrito. Quero ver tua habilidade em me traduzir em palavras. Quero ver como tu me interpretas. Quero te testar. Não adianta algo parecido comigo. Quero algo inédito. Quero sentimento. Quero palavras firmes. Quero definição. Quero me surpreender. Quero expectativa a cada vírgula. Quero me deliciar com a leitura. Quero ler a minha verdade na tua verdade.

Quero que tu escrevas com amor. Quero ver tesão no que tu escreves. Quero ousadia. Quero que tu publiques pra todo mundo ler. Quero tua literatura. Quero tua reportagem investigativa. Quero uma denúncia minuciosa. Quero tua poesia. Quero romance.

domingo, 10 de outubro de 2010

Pertencimento



Eu o queria mudo. Que tal passarmos um tempo juntos e em silêncio, meu bem? Não te parece uma boa idéia a gente calar todas essas palavras que só nos machucam Talvez em silêncio os nossos corações consigam se ouvir e se entender.

O que tu acha? Ninguém consegue brigar em silêncio. Na quietude, só existem olhares apaziguadores, gestos de compreensão, carinhos confortadores. Em silêncio, talvez nossos corpos finalmente se entendam.

Eu quero o teu silêncio. Te quero em silêncio. Em troca posso te dar toda a minha paz. E só a minha paz vai poder sanar as tuas dúvidas, resolver as tuas incertezas. Só a minha paz é capaz de tirar o peso da tua consciência. Só a minha paz conserta a tua vida. E só em silêncio tu vai conseguir admitir isso.

Eu quero morar no teu sossego. Quero me encontrar no teu silêncio. Quero pertencer a tua paz. Quero ouvir nossos corações alinhados. Quero acerto silencioso de contas.

Em silêncio vamos usar melhor as nossas mãos. Em silêncio, a boca só serve para beijar. Em silêncio, vou te escutar melhor, te sentir melhor, vou te tocar como nunca toquei.

Enquanto não abrirmos nossa boca pra falar amor, é melhor permanecermos em silêncio.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Novo, tudo, tempo



É preciso sair de cena. Está na hora de esperar.

Nem tudo depende de nós mesmos. Às vezes chega aquele momento em que o melhor a fazer é nos recolhermos diante da nossa insignificância. Esse momento sempre existe, mas nem sempre sabemos reconhecê-lo com facilidade. Estamos tão acostumados a ter uma reação a tudo, regidos pelo imediatismo, que na maioria das vezes, nos tornamos incapazes de perceber que o certo é não fazer nada.

Cedo ou tarde, chega o momento em que não podemos fazer nada, se não esperar. Para quem está acostumado às luzes do palco da vida, é difícil sair de cena e permanecer nos bastidores. Pra quem tanto gosta de interagir com a platéia, ficar espiando por trás cortina pode trazer muita aflição.

Por mais incômodo que seja, ou por mais que seja a coisa mais angustiante que possa acontecer, ou, ainda, por mais que tenhamos tanto pra falar e fazer, às vezes chega a hora de ter paciência. É hora de observar. É tempo de cruzar os dedos e torcer pra tudo dar certo.

Também é tempo de ficarmos atentos, pois vai que seja preciso dar uma mãozinha, assim, como quem não quer nada, em off... Às vezes é necessário agir sob os panos. É tempo de reorganizar as estruturas para uma possível nova estréia, sem medo da redundância.

É hora de usar a esperança como sabedoria. É hora de fingir que nada aconteceu. É hora do silêncio oportuno. É hora sair de cena sim. Quem sabe assim não seja o melhor caminho para voltar a subir no palco e brilhar.

E como vai ser a reestréia? Geralmente as expectativas são grandes. Imaginem como é para um protagonista viver nesse clima de pré-estréia permanente, de ansiedade, de incertezas. Como é difícil decorar as novas falas, se analisar, reconstruir um personagem, como é ruim ficar só no ensaio, torcendo para que os refletores finalmente se acendam.

Qual vai ser a sensação de quando o protagonista virar o jogo, ganhar a atenção e a compreensão da platéia? Como vai ser a noite de estréia do par romântico? Como vai ser o final feliz?

De qualquer maneira, é melhor ir pensando na sinopse, mas dessa vez com um final diferente.

domingo, 3 de outubro de 2010

Todas as formas de amor



Vida felicidade amor. Amor antes, durante e depois. Amor agora. Amor pra sempre. Amor vivo. Amor tranqüilo. Amor grande. Amor suficiente. Amor doido. Amor que equilibra. Amor paz de espírito. Amor definitivo. Amor mais um pouquinho. Amor paz. Amor fé. Amor único. Amor de todos. Amor lindo. Amor que dói de tão lindo. Amor bonitinho. Amor na chuva. Amor na praia, no amanhecer, no abraço, no teu cheiro, na tua pele, no teu sorriso. Amor pulsante, vibrante. Amor feliz. Amor aconchegante. Amor salvador. Amor delicioso. Amor demorado. Amor na fração de segundo. Amor que me espera. Amor que me diverte. Amor que me mantém. Amor que me ama. Amor meu.

Todo o amor que houver nessa vida. Todo o amor que ainda está por vir.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Ah, a saudade!



Sabe... às vezes tenho saudade de uma vida que não vivi. Sinto falta do que faltou viver. Saudade dos beijos intermináveis que não aconteceram. Saudade daquele lindo café na cama que não preparei pra ele. Saudade daquelas mordidas no ombro só para implicar. Saudade do ciúme bobo dele. Saudade de ficar em seus braços. Saudade dos sonhos sugestivos que tinha com ele.  Saudade dos diálogos encantadores que diziam exatamente o que eu queria ouvir. Saudade dos planos de viagem juntos. Saudade de usar aquele vestido que ele adorava. 

Saudade de uma vida inventada, de uma vida que poderia ter sido e não foi. 

Mas há uns quatro anos, mais ou menos, conheci uma pessoa (da qual hoje tenho saudade) que me ensinou que saudade "dá e passa". Ainda bem.

domingo, 26 de setembro de 2010

Fugindo



Tô querendo fugir de tudo. Tô precisando sumir. Nem que seja por pouco tempo. Algo do tipo pegar uma estrada vazia e ir pra um lugar tranqüilo. Tô precisando de clichês. Quero ir para uma daquelas cidades fantasmas, quase desertas, só com habitantes estranhos e desconfiados, mas que nem ligam para a minha presença temporária. Quero ir pra um lugar onde ninguém me faça perguntas, nem eu tenha que abrir a boca pra falar com alguém.

Quero passar uns quatro dias num motel velho de beira de estrada, com aquelas paredes finas que parecem ter sido feitas de papelão, com aquele letreiro luminoso falho escrito “há vagas”, com um quadro floral torto na parede, com um abajur imundo que não acende, com um cinzeiro que não é limpo há anos, com uma tevê que pega só dois canais mal sintonizados, com um frigobar com bebida ordinária.

Quero beber essa bebida ordinária até cair na cama e dormir um sono pesado por muitas horas. Quero acordar com a luz que entra por entre as persianas que não fecham, quero levantar sem dar bom dia pra ninguém e ir pegar uma coca-cola na máquina que fica do lado de fora do quarto pra fazer as vezes de meu café da manhã.

Quero voltar pro quarto e ficar em silêncio sentada numa cadeira duvidosa olhando pela janela a inércia do movimento da estrada. Quero passar horas assim, só espiando a vida alheia, imaginando vidas diferentes da minha. Quero pegar um caderno pequeno de espiral e uma caneta bic azul e passar horas escrevendo o que me vem na cabeça. A caneta vai falhar em diversos momentos, como quem me censurasse as idéias, mas não vai ser mais teimosa do que eu.

No fim do dia, estarei eu do mesmo jeito que acordei, ainda sentada em frente à janela escrevendo, mas agora com diversas folhas arrancadas e amassadas ao meu redor. A noite vai chegar, eu vou calçar um pesado par de botas e sair para comprar cigarro. Passarei a noite escrevendo, esvaziando garrafas e enchendo o cinzeiro. Vou dormir por cima da mesa, embalada pelos ruídos dos poucos carros que passam na estrada e sendo iluminada pela luz da rua.

No outro dia, acordarei com o latido dos cachorros e com uma batida na porta. Alguém que veio perguntar por mim, se estava bem, se não iria comer nada. Nesse momento vou me dar por conta que já estava há quase três dias sem comida no estômago e que vou ter que tomar uma atitude.

Resolvo tomar um banho, coloco um óculos escuros grande para esconder o rosto, e saio para fazer o que tinha que fazer. Passo mais uns três dias “vivendo” nesse ritmo.

Até que finalmente levanto com dor de cabeça, tomo um banho frio, coloco um vestido vulgar e ligo o celular. Pego o mesmo par de botas, paro do lado de fora do quarto, calço lentamente cada pé, tento acender outro cigarro e o isqueiro não ajuda. Decido ir embora daquele lugar e voltar pra minha vida de antes.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Borboleta-amor



Vou te trazer uma borboleta!
Sim! O que mais tu quer de mim, amor?
Que presente melhor eu posso te dar?

Ela vai voar comigo, me acompanhar até te encontrar.
Quando isso acontecer, nós vamos nos olhar e nos perder.
Aí nós vamos nos encontrar e nos perder, nos encontrar e nos perder, nos encontrar...
Mil vezes não serão suficientes pra se tornar rotina.

A doce borboleta vai voar ao nosso redor e pousar na minha mão.
Com um sorriso nos lábios, vou estender minha mão até a tua.

Tu vai pegar e levantar a minha mão como se tivesse me pedindo em casamento.
Silenciaremos nossos olhares e vivenciaremos surdamente aquele momento único, aquele toque.

Tu vai olhar pra borboleta e dizer que é o melhor presente que já recebeu.
Eu vou te dizer que tu sempre diz isso para todos os meus presentes.
Teus olhos vão me convencer de que tu estás sendo sincero.

Tua mão na minha mão vai me fazer sentir a pessoa mais feliz do mundo.
A borboleta vai sentar do nosso lado, como quem não quer ir embora e perder esse momento.
Nós vamos ficar conversando em silêncio.
Nós vamos curtir a presença um do outro, como se não existisse mais ninguém.
O meu coração vai falar com o teu e vice-versa.
Os teus olhos vão ler o meu corpo cuidadosamente.
O teu perfume vai se entrelaçar no meu perfume nos proporcionando o aroma perfeito.
Teu sorriso vai povoar a minha imaginação com os sonhos mais lindos que um dia existiram.
Tua respiração formará um dueto com a minha e juntos vamos ouvir a melodia mais apaixonante que nossos ouvidos já conheceram.
O balanço inquieto do teu pé direito vai parecer aos meus olhos o balé mais harmonioso e envolvente que já vi.

Tua boca vai me dizer as palavras mais lindas que tu pensou unicamente para mim.
Eu vou notar que a borboleta já voou, mas deixou com a gente um pouco da sua magia.
Vou sentir que, mesmo de longe, ela continuará conosco.
As cores da borboleta permanecerão para colorir nosso relacionamento e o nosso mundo.

Tu vai lançar um olhar tão encantador pra mim como se eu usasse uma borboleta no cabelo, no lugar de uma flor.
Eu vou sentir borboletas na barriga quando tu me der um beijo.
Nós vamos sentir borboletas pelo corpo todo quando finalmente nos entendermos.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Não (ou sim)



Bateram na porta da minha casa que eu não tenho,
e eu não estava.
Não tinha ninguém.
Ninguém entrou e sentou-se numa cadeira imaginária
e não conversou comigo como ninguém.

Jamais me esquecerei daquela ausência,
que tanto não discutiu comigo aquela carência de sentimentos.
Eu simplesmente não sabia mais de nada,
estava com um vazio aberto a tudo.

Aquela inexistência toda mexia com a minha essência.
Como me fazer presente? Como te dar um presente?
Estava faltando algo à minha existência.
Esse afastamento, essa distância me deixou sem chão.
Minha falta de ar só aumentava quando não te via.
Meu caminho estava perdido.
Próxima parada: sem rumo!
Disse isso tudo pra ninguém me ouvir.

Ninguém me escutou atentamente.
Depois ninguém me interrogou sem dizer nada
e eu contestei sem ver e sem falar.

Eu esqueço ninguém sem querer esquecer.
Eu não consigo esquecer ninguém nem quando ninguém esqueço.
Quero esquecer que quero esquecer ninguém.
Quero esquecer que não esqueci ninguém.

Ninguém saiu pela porta dos fundos, sem se fazer notar.

Mesmo nós não estando presentes, eu sinto a presença de ninguém aqui comigo.
Não amo ninguém.

(Inspirado em Neruda)

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Salvar o príncipe



O príncipe vai de mal a pior. Nada na sua vida tem dado certo ultimamente. Ele continua se envolvendo com as pessoas erradas, que só sabem magoá-lo. Parece que ninguém mais o entende. Ele está enredado em relacionamentos sem futuro, preso ao passado, com pessoas que não se importam verdadeiramente com ele e que não sabem reconhecer o seu verdadeiro valor. A vida dele desmorona, enquanto sua felicidade fica para depois.

Enquanto isso, sua verdadeira princesa só olha. Observa com olhos atentos o príncipe indo pro fundo do poço. Talvez seja isso. Talvez ele precise chegar ao fundo do poço para poder se levantar. A princesa está angustiada, louca para pegá-lo pela mão e ajudá-lo a se levantar.

A princesa não vê a hora de entrar em cena e resolver os problemas do príncipe. Ela está ansiosa para lhe ensinar como a vida funciona, como lidar com as pessoas, como sentir as coisas certas no momento certo, quais palavras dizer... A princesa conta cada minuto, sofre cada segundo, dói a cada centésimo de segundo, só esperando a hora de poder salvar o príncipe.

domingo, 19 de setembro de 2010

Princesa X Príncipe



Se a princesa tem dúvidas, é porque precisa de respostas. Se o príncipe é incapaz de esclarecê-las, ela não tem culpa. Se ele não sabe as respostas, não existe conto de fadas.

Se o príncipe não sabe pedir desculpas, a princesa nada pode fazer. No conto de fadas pós-moderno, a princesa deleta o príncipe do MSN.

Claro, como não poderia ser diferente, a princesa segue em frente e vai em busca de um novo príncipe, um definitivo, que nunca volte a ser sapo novamente. E o príncipe vai continuar lamentando por um tempo. Vai sim. Até porque praga de princesa nada difere de praga de ex.

No capítulo anterior, escrevi que o príncipe era burocrático. Na verdade, príncipe e princesa são assim. Eles gostam de regras. A diferença é que ele adora segui-las e ela adora quebrá-las.

sábado, 18 de setembro de 2010

Escrevendo mentiras



Escrever sempre ajuda. É muito bom escrever. Até me arrisco a dizer que escrever resolve tudo, qualquer problema, dor, dúvida ou tristeza.

É bom colocar o que a gente sente pra fora. E é só colocando pra fora que a gente se pergunta porque estávamos guardando tudo aquilo. Quando tudo parecer perdido, quando não encontrarmos mais saída, quando a angústia parecer tomar conta, só nos resta ir ao encontro das palavras.

Escrever é tipo o nosso “último recurso”. É o que nos resta, quando as coisas estão dando errado. É a nossa salvação.

Mas e onde entra a verdade nisso tudo? Aí é que está a questão. Quem disse que somos obrigados a escrever coisas sinceras? As palavras são sempre sinceras, mas a ordem ou seqüência que damos a elas, nem sempre. Nós precisamos é ser sinceros com a gente mesmo e mais ninguém. Quando escrevemos, somos livres pra criar, fantasiar, imaginar, supor, brincar, rimar, embutir mensagens subliminares...

Tudo bem que eu prefira e defenda a sinceridade permanente, mas isso nem sempre é possível. Como eu disse, escrever é pra ajudar. E quem sabe escrevendo mentiras a gente não entenda melhor a verdade? Escrever mentiras pode nos ajudar a lidar com a verdade, nos faz refletir melhor, sem grandes obrigações. De repente, escrever como deveria ter sido e não foi, pode nos ajudar a fazer o certo futuramente.

Quando as coisas estão erradas, só conseguimos pensar no que deu errado, como corrigir, o que fazer... É difícil evitar esses pensamentos. Se resolvermos colocar isso no papel, colocar pra fora, aí não é mais nosso, não nos pertence mais. Vai embora. Dá a oportunidade para surgirem coisas novas. Que venham!

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Pássaros noturnos 3



Pássaros noturnos e Pássaros noturnos 2

Noite de trilogia! Ouço os sabiás novamente. Mais um pouco e eu vou ficar mal acostumada. Já está quase amanhecendo e eu passei a noite escrevendo, acompanhada por essa agradável trilha sonora.

Me sinto privilegiada. Fico pensando naquelas pessoas que não conseguem dormir e ficam rolando na cama. Ou naquelas que escrevem no silêncio ensurdecedor da madrugada. Ou, ainda, naquelas que ouvem de fundo os ruídos de uma rua movimentada. Ou, por último, naquelas pessoas em que o único som da noite é o latido de animais tão inquietos quanto elas.

Iluminada pela luz do note e inspirada pelo som dos passarinhos, nem percebi a hora passar. As idéias foram surgindo lentamente, levemente, sem pressa, como quem não quer nada, quase organizadas, “redondinhas”. Aos meus dedos, só cabia a árdua tarefa de digitá-las no Documento1 do Word.

Daqui a pouco a cidade se acende, liga os seus ruídos, começa a sua rotina frenética. Daqui a pouco esses passarinhos irão parar de cantar. E mesmo se continuassem cantando, não conseguiriam ser ouvidos. Só a noite é capaz de nos dar essa liberdade. Talvez só a noite é que consigamos de fato nos expressar por completo. Talvez só de noite consigamos fazer com que coração e razão se entendam.

São dois pássaros. Um canta, o outro ouve. Depois trocam e ficam nesse revezamento. Não me perguntem como, mas eu sei. Eles estão conversando. Compartilhando momentos. Surpreendendo-se mutuamente. Colocando pra fora suas agruras. O canto é o texto dos pássaros. Tenho certeza. Aliás, hoje eu só tenho certezas.

Eles são insistentes, persistentes, quase teimosos. Cantam sem saber se estão sendo ouvidos ou não. Cantam somente com esperança. Cantam com o coração aberto. Cantam seu melhor repertório, sem medo de que seja em vão. Simplesmente fazem o que acham certo da melhor forma possível. Cantam sabendo que o dia já está chegando para interromper sua voz, mas mesmo assim não deixam de cantar.

Esses pássaros, que tanto me ensinam.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Courage, by Orianthi


Pegue as minhas palavras viciosas
E transforme-as em algo bom
Pegue meus preconceitos
E deixe a verdade ser entendida

Pegue todas as minhas posses preciosas
Deixe apenas o que eu preciso
Pegue todas as minhas dúvidas
E deixe-me ser o que está embaixo

Coragem é quando você está com medo,
Mas você continua em frente de qualquer jeito
Coragem é quando você está com dor,
Mas você continua vivendo de qualquer jeito

Todos temos desculpas por que
Algo em nós morre quando estamos com medo
Como um pássaro com asas quebradas
Não é o quão alto ele voa,
Mas a canção que ele canta

Coragem é quando você está com medo,
Mas você continua em frente de qualquer jeito
Coragem é quando você está com dor,
Mas você continua vivendo de qualquer jeito

Não é quantas vezes você foi
Derrubada
É quantas vezes você dá a volta por cima

Coragem é quando você perdeu seu caminho,
Mas você encontra a sua força de qualquer maneira
Coragem é quando você está com medo
Coragem é quando tudo parece cinzento
Coragem é quando você faz uma mudança,

E você continua vivendo de qualquer maneira
Você continua em frente de qualquer jeito
Você continua a dar de qualquer maneira
Você continua a amar de qualquer maneira

(Da série "coisas que eu poderia ter escrito")

sábado, 4 de setembro de 2010

Segredo



Mexendo aqui no computador, acabei encontrando umas fotos dele. Meu deus! Como pode ser tão lindo assim? Eu estava jurando que já o tinha esquecido, mas depois dessa... Tô perdida! Lembrei de tudo, de cada segundo, de cada palavra, de cada toque, de cada olhar, de cada diálogo... Por essa eu não espera! Não estava nos meus planos reaver todos esses sentimentos. Coisas da vida. Peça pregada pelo destino. Por que por mais que eu ande na direção oposta, o destino põe ele bem na minha frente, na minha tela, na minha vida? Esse tal de destino é safado!

Olho para aquela foto e não consigo mais tirar meus olhos dela. Impossível desgrudar. Quanta ironia! Logo ele, que me ajudou a manter a sanidade em certos momentos, agora consegue me enlouquecer. É isso. Estou ficando louca. Estou indefesa. Baixei a guarda. Só consigo contemplá-lo.

Ele enche meus olhos, prende a minha atenção, sossega o meu coração, acalma a minha respiração. Me atrai, me chama.

Eu o observo. Por completo. Com a minúcia dos anjos. Cada centímetro de pele. Cada contração de músculo. Cada parte do seu corpo. Cada traço da sua expressão. Quase consigo ler seus pensamentos. Tenho a leve impressão de que vejo a sua alma. Por muito pouco não sinto o seu cheiro.

Mas o que mais me chamou atenção mesmo foi o seu sorriso. Por favor! Isso não é justo comigo! Estou admirando o sorriso mais lindo do mundo. Sem tirar nem pôr. Sem exagero. Sem brincadeiras. Seu sorriso é de uma beleza de calar os olhos. É a imagem mais contagiante que já vi. Extremamente encantador. É até encorajador. Alegre, puro, simples. Feliz, imensamente feliz. Insuportavelmente feliz.

Um sorriso que me faz esquecer os problemas. Um sorriso que me tira o chão. Que me faz faltar o ar, que me estremece. Que quase dói de tão perfeito.

Até agora só fiquei tentando achar palavras para descrever esse sorriso. Mas não as tenho. Troco qualquer palavra por esse sorriso. Agora, nada mais me importa.

Um sorriso que me excita. Me conforta. Me conserta. Me ama. Que me faz crer numa vida melhor. Que penetra no meu corpo, mexe com o meu coração, percorre cada pedacinho meu.

Um sorriso que é meu. Que me pertence. Um sorriso sincero. Leve. Espontâneo. Gostoso. Contundente. Arrebatador. Um sorriso que fixa o meu olhar, que me fascina. Que tira a minha paz. Que me corrompe. E que é capaz de me convencer de qualquer coisa. Um sorriso que me leva fácil. Que tira meu sossego. Que me hipnotiza. Que me pede um beijo. Um sorriso que eu quero para sempre.

E a Monalisa que me desculpe. Mas arte mesmo, é o sorriso dele.

Pássaros noturnos 2



Simplesmente não consigo acreditar que os estou escutando de novo. Eles voltaram. Lá estão eles cantando novamente. Será para mim? Não, não. Besteira minha. Como podem saber exatamente qual o momento certo de aparecerem aqui? Como adivinharam que eu estava precisando? Me pergunto de novo: será um presente especial enviado para mim? Será, será? Não sei. Mas é maravilhosa essa sintonia com o universo.

Hoje choveu o dia inteiro e ainda não parou. A noite chegou e eu, em silêncio, nem percebi. Deve ser mais uma daquelas noites em que não consigo pegar no sono. Qual não foi a minha surpresa de notar, aos poucos, uma doce e alegre melodia chegando até mim. Os pássaros estavam cantando mais alto do que o barulho da chuva. Isso não pode ser por acaso! Deve ser um sinal. Não tenho dúvidas. É a minha metáfora da noite.

Mesmo com toda a tempestade, a desordem nunca vai ressoar mais que uma agradável melodia. Quando há harmonia, o ruído sempre fica em segundo plano. A turbulência jamais será maior que a mais bela das composições. Essa é mensagem. Esse é o significado que me faltava. Esse é o aprendizado do dia. Ou da noite, as horas já não me importam mais. Aquilo que encanta, que nos enobrece, sempre deve soar mais alto que qualquer adversidade.

Além do mais, os passarinhos estão cantando em conjunto. Isso me faz pensar que, talvez, se fosse um só, eu não conseguiria escutá-los. A chuva iria esconder suas canções. Sozinho não se vence tempestades. O passarinho precisa de uma companhia para ganhar voz, fazer eco e criar sentido. Somente junto com alguém da sua espécie é que ele pode fazer diferença. E eu acho que assim ganhei a minha segunda metáfora da noite. É preciso cantar em dupla. É preciso afinação, sintonia. Só assim é possível nascer algo consistente. Um pássaro solitário jamais conseguiria tão bela melodia.

Eles cantando a felicidade aos quatro cantos, me deixam na obrigação de ser feliz também. Impossível não ser.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Momentos



Sabe aquele beijo no pescoço que te faz repensar toda a existência humana? Sabe aquelas noites intermináveis em que a gente conta os minutos para aparecer o primeiro raio de luz para podermos levantar e ir ao encontro dele? Sabe aqueles longos minutos que se transformam em horas diante do espelho, só para escolher a melhor roupa-sapato-maquiagem-cabelo-bolsa para poder agradá-lo? Sabe aqueles momentos difíceis, em que parece que o universo conspira contra a nossa felicidade, mas aí aparece ele com o sorriso mais lindo do mundo no rosto e a gente já nem lembra mais qual era o problema?

Sabe quando a gente dorme com o celular embaixo do travesseiro só esperando uma simples mensagem de boa noite e ele manda uma declaração de amor? Sabe a sensação de ter a pessoa mais linda e segura do mundo se sentindo frágil, deitada no teu colo? Sabe aquela voz absurdamente sedutora falando elogios no teu ouvido? Sabe aquele olhar obsceno que faz tu te sentires nua no meio de uma multidão? Sabe aquele divertimento secreto de perceber as hesitações dele? Sabe aqueles momentos agradáveis em que analisamos a voz dele, suas diferentes entonações, seus gestos, suas alterações de postura? Sabe aqueles momentos em que somos capazes de ler os pensamentos dele?

Sabe aquela sensação engraçada de quando tu dá 'oi' pra outra pessoa e ela usa o mesmo perfume que ele, e isso faz com que a gente se perca imediatamente em nossos pensamentos? Sabe aquele beijo que te envolve de uma maneira única te fazendo esquecer que o tempo passa? Sabe “aqueles dias” em que ele cuida de ti? Sabe quando tu estás doente e ele fica quietinho do teu lado só segurando a tua mão? Sabe quando ele perde o olhar em ti, sem se dar conta de que todo mundo já percebeu?

Sabe aquele momento sublime em que ele segura tua mão, olha nos teus olhos e diz a verdade?

Bons momentos deveriam fazer parte da vida de todas as pessoas. Assim, elas não se incomodariam com a fortuna alheia e todo mundo era feliz.

A felicidade é uma escolha e foi sempre por ela que eu optei. Ela é uma das únicas certezas que tenho.

Sabe quando não cabemos em nós mesmos de tanta felicidade? Pois é. Isso faz com que criemos uma necessidade especial de contagiar todo mundo com esse sentimento, além do desejo súbito de escrevermos esses textos piegas pro blog.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Pássaros noturnos



Ouço passarinhos cantando perto da minha janela todas as madrugadas. Seus pios ecoam noite a fora embalando o sono de muita gente, enquanto servem de trilha sonora para as minhas noites insones. Ao ouvi-los cantar, fico pensando que talvez eu não seja a única que tenha necessidade de ficar acordada até tarde. Talvez eles também esperem alguma coisa de uma noite mal dormida.

Enquanto eles cantam, eu escrevo. Queria saber escrever algo a altura de suas melodias, queria que eles pudessem me ler com a clareza e a admiração com que eu os escuto. Pelo menos me consola não ser a única alma inquieta numa noite calma. Eles servem de inspiração, de incentivo. Afinal, estamos fazendo o que gostamos de fazer, simultaneamente. Trabalhamos em conjunto. Ambos quebramos o silêncio, eles com cantorias, eu com palavras. Ambas atividades tranqüilizadoras. No mínimo, simbólico.

De tantos lugares para se estar nessa noite amena, eles estão aqui, ao meu lado. Me fazem companhia, como se soubessem que eu precisasse. Talvez eles cantem por estarem angustiados. Aliás, notando bem, agora me pareceu ser um canto aflito, carregado de desgosto, reclamações e tristeza. Coisa boa deve ser poder cantar as tristezas, colocar pra fora tudo o que nos incomoda. E nada como a noite para fazer isso.

Talvez o passarinho lamente a perda de sua amada. Talvez ele cante um amor perdido, uma dor de cotovelo, uma dor de amor. Talvez ele esteja compondo. Talvez ele esteja ensaiando para declarar-se à sua amada. Talvez esteja se preparando para dizer tudo o que sente para a passarinha mais bonita do céu de Porto Alegre.

Ele poderia estar voando essa noite. Mas talvez não seja uma boa noite para voar, pois o tempo está nublado e não tem estrelas. Não seria um bom clichê.

Talvez o passarinho não goste de silêncio. Talvez ele seja um presente especial enviado para mim, de uma pessoa que sabe que eu não consigo mais dormir direito. Talvez ele seja simplesmente uma consciência pesada que precise desabafar. Talvez ele já cante o amanhecer e o que eu esteja ouvindo seja um bom-dia.

Agora já não os ouço mais. Talvez seja hora de dormir.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Ele



Fico imaginando ele deitado em sua cama. Não sei dizer se de dia ou de noite. Apenas deitado, pensando na vida. Em que será que ele pensa? De certo nas ex-namoradas. Talvez no trabalho. Fico imaginando seus devaneios, seus pensamentos deslumbrados. Fico tentando imaginar ele fazendo planos.

Fico imaginando ele acordando, com um sorriso no rosto, se espreguiçando nos lençóis pouco amarrotados. Quase consigo sentir o cheiro do seu despertar de manhã cedo. Também fico imaginando ele rolando na cama, tanto de felicidade como de insegurança. Consigo imaginar ele apalpando o travesseiro sem ter consciência do ato.

Fico imaginando as cobertas acariciando o seu corpo, velando o seu sono, ouvindo suas confidências noturnas, sendo cúmplice dos seus desejos.

Penso nele deitado numa cama de casal, acordado, mas com os olhos fechados, imaginando cenas e diálogos com a mulher que ousa a lhe tirar o sono, que tanto quer ser dona dos seus pensamentos.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Falta de atitude



Tava aqui pensando sobre o post anterior e acho que errei numa parte. Me equivoquei em um trecho da história, a respeito do príncipe. Mas o bom de escrever é justamente poder reescrever o que não está adequado.

Eu tinha dito que no conto de fadas pós-moderno o príncipe tinha deixado a princesa. Até aí, tudo bem. Mas na continuação eu escrevi que sair de casa tinha sido a última atitude do príncipe. Erradíssimo!

Na verdade o príncipe sofre de falta de atitude crônica. E é muito grave. Ele seria incapaz de tomar uma atitude dessa magnitude. Quem juntou suas coisinhas e foi embora, foi a princesa. Ela não conseguiu suportar a canalhice do príncipe, nem sua inércia perante a crise no relacionamento.

Não adianta. Pode passar o tempo que for que e o príncipe não muda, não cresce. Se antes de terminar o relacionamento ele não sabia o que fazer, agora que acabou é que ele não sabe mesmo.

O príncipe está em apuros e não admite. Aliás, nem percebe. Sua vida sem princesa não tem dado muito certo. Ele insiste em mostrar a todos uma pessoa que ele não é. Vive de aparências. Se inspira nos príncipes mais antigos, de outras épocas, no tempo em que eram cavaleiros e usavam armaduras, pois, hoje, ele não sai de casa sem a sua. Sai pronto para atacar, pois acredita que o ataque é a melhor defesa.

O príncipe se defende das suas fraquezas – e não tem nada de errado nisso. O problema é a maneira como ele faz isso. Ele se utiliza de fórmulas prontas. O príncipe, do alto de toda sua auto-suficiência, já tem uma resposta pra tudo. Ele vive de clichês. “Um conjunto de clichês”. Ele reage com frases prontas; tem fórmulas para resolver todos os seus problemas. O príncipe pós-moderno é burocrático demais. Odeia que as coisas fujam do seu controle, mas é isso que sempre acaba acontecendo.

Dessa forma, ele acaba deixando de lado um dos prazeres da vida: a improvisação. Qual é a graça de saber de tudo? Às vezes é bom dizer “não sei”. E digo mais: não existe problema nenhum em dizer que não sabe. Ninguém é obrigado a ser sabidinho. A dúvida tem seus benefícios e as incertezas, na maioria das vezes, trazem uma inspiração que dificilmente surgiria com todas as regras que o príncipe impõe à sua vida.

Falta atitude para o príncipe reconhecer suas fraquezas. A falta de atitude permeia a vida do príncipe, infelizmente.

Hoje em dia, somente homens de verdade têm atitude. E não basta ser homem para ter atitude. Ser homem, não significa ser de verdade.

Feita a correção. Desculpe a injustiça, princesa.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Eternamente casado



Era uma vez um príncipe encantado. Ele vivia o início de sua vida adulta calmamente, acreditando estar fazendo tudo corretamente e no tempo certo. Era casado com a princesa mais inspiradora do reino, que vivia para satisfazer suas necessidades. Um homem de muita sorte, eu diria. O casal era bastante unido, o que os facilitava para superar os obstáculos que a vida lhes teimava em proporcionar. O reino que habitavam estava passando por uma forte crise, mas o príncipe tinha tirado a sorte grande: a sua princesa jamais o decepcionaria. Ela estava sempre lá, o apoiando nos momentos mais difíceis, segurando sua mão, zelando seu sono, falando palavras de incentivo, agüentando as intempéries do relacionamento. A princesa acreditava no príncipe.

Com o passar do tempo, podemos perceber que a princesa era boa demais para o príncipe. Ela era mais decidida, mais confiante, mais segura. Ele não soube lidar com isso. Como príncipe, achava que tinha a obrigação de ser o melhor de todos. Acreditava que ele é quem deveria cuidar da princesa, e não o contrário. Ele deveria ser a personalidade forte na relação, aquele quem protege o parceiro, aquele que sabe para onde ir sem precisar de mapa. Foi quando, em determinada dificuldade, o príncipe se descobriu em baixa e resolveu não aceitar mais essa situação.

Então, em um dia chuvoso, o príncipe acordou em crise. Resolveu ir embora de seu castelo, abandonando sua amada. Isso aconteceu porque ele não sabia ser feliz, não sabia que tinha tudo o que precisava para sobreviver e não sabia dar valor à princesa que tinha. O príncipe entrou em fase de separação. Não, não. Não houve fase de separação. Ele simplesmente abdicou da princesa de uma hora para outra. Brigou e foi embora. Se não pudesse ser pior, ele a deixou em um momento delicado da vida, como só uma pessoa muito egoísta e sem coração conseguiria fazer.

A partir daí, o príncipe se fechou no seu mundo particular. Abandonar a princesa foi a última atitude que ele conseguiu tomar na vida. Depois disso, nunca mais lutou pelo o que quis. Só arrumou desculpas e mais desculpas para evitar tomar decisões. O medo de errar rondava sua nova moradia. Ele começou a sofrer mais do que tinha imaginado e continuava a não admitir seus problemas. Ele era um príncipe, não podia dar o braço à torcer. Porque antes de ser casado com a princesa, ele era casado com seu orgulho. Assim, recusou todas as chances de se erguer que lhe foram oferecidas. Ignorou todos que tentaram acreditar no seu talento e lhe estender a mão. Porque também era casado com a sua arrogância.

Após a separação, ele também optou por renegar seus sentimentos. Não levava mais nenhum relacionamento à sério nem queria criar laços profundos com qualquer outra pessoa. Fugia na direção oposta, mesmo contra sua vontade. Não se permitia envolver com outras princesas. O príncipe estava traumatizado. E isso foi trazendo um cansaço quase existencial para ele. Tudo porque era casado com seu medo.

Ele não conseguia fazer ninguém feliz, porque era casado com a sua própria felicidade. Se preocupava unicamente com a sua felicidade, passando por cima de qualquer sentimento alheio. O que importava era ser feliz, mesmo que isso causasse sofrimento a quem estivesse por perto. Era casado com seu egoísmo. Sempre via defeito nos outros, mas nunca soube – nem se importava – em lidar com os seus.

Apesar de tudo, o príncipe não abriu mão do seu jeito galanteador. Dessa forma, foi se tornando um conquistador cada vez mais experiente. Tornou-se um homem da noite. Pelos reinos por onde passava, deixava as princesas suspirando enlouquecidamente. Muitas vezes chegou a ser motivo de briga entre elas, o que só aumentava seu deleite. Porque o príncipe também era casado com a Sra. Sedução.

O que o príncipe não sabia era o seu final. Ele tinha decidido que o tempo, que era uma das suas principais preocupações enquanto casado com a princesa, não era mais importante. Mal sabia ele o seu destino. Nunca desconfiou que um dia ele não seria o príncipe mais disputado do reino. Não imaginou que um dia a sua beleza poderia lhe abandonar. Nunca lhe passou pela cabeça que depois de tanto negar relacionamentos de verdade, só restariam os superficiais. Ele acabou se apegando a esses relacionamentos de mentira como se valessem grande coisa. E isso não vai mudar. Ele sozinho é incapaz de fazer tal alteração. Porque ainda vai fazer mais um casamento, provavelmente o último: com a soberba.

O final óbvio do príncipe nos leva a imaginar que ele vai acabar sem reino e sem trono. Meu sexto sentido diz que ele ainda vai acabar sem princesa. Vai ficar sem majestade e sem herdeiros. No final, esse príncipe vai virar sapo.

No conto de fada pós-moderno, o príncipe precisa ser salvo por uma princesa. Só que para ser salvo, ele precisa estar solteiro. No mínimo, divorciado.