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sexta-feira, 30 de julho de 2010

Wonderland



"A uma certa altura da sua vida, quando tiver passado boa parte dela, você vai abrir os olhos e vai se ver por aquilo que você é, principalmente por aquilo que te tornou tão diferente da chatice das pessoas normais, e vai dizer a si mesma: 'mas eu sou essa pessoa'. E nessa afirmação tão acertiva haverá uma espécie de amor".

Trecho do filme "A menina no país das maravilhas"
(Phoebe in Wonderland).

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Príncipe Shrek




Devido aos inúmeros contos de fadas que ouvimos na infância, de tanto suspirarmos pelos príncipes com suas infindáveis qualidades, de tanto invejarmos as princesas – seja pela sua colossal beleza, seu elevado status social, suas elegantes roupas, seja pelo seu grandioso castelo – nós mulheres adquirimos o hábito de sonhar com um príncipe encantado.

O conto de fadas nos seduz de tal forma, que somos tomadas por uma vontade desmedida de transformar nossa irrelevante existência em uma dessas histórias mágicas. Passamos muito tempo imaginando nossas vidas com esse homem maravilhoso, cheio de virtudes. Todas fantasiamos com o príncipe bonitão, charmoso por natureza, que esbanja simpatia, está sempre de bom-humor, é atencioso com todos os seus súditos, não bebe, não possui vícios, entre outros inúmeros valores. Não existe mal nenhum em sonhar com uma pessoa assim; só não podemos esquecer que ela simplesmente não existe.

Por tabela, vale lembrar também que não somos nenhuma princesa – apesar da comparação ser inevitável. Em alguns momentos até podemos nos parecer com ela, mas são apenas em alguns momentos, com muito esforço, maquiagem, sapatos caros, dias sem comer e muita força de vontade. Não é a toa que gostamos muito quando somos tratadas como princesas.

O desejo de viver uma vida como a que lemos nessas histórias é tamanho, que muitas vezes quando nos apaixonamos por alguém nem tão bonito assim, nem tão legal assim, nem tão honrado assim, logo o classificamos como sapo. E essa história conhecemos muito bem: todo sapo é, no fundo, um príncipe em potencial. É a mania feminina insuportável de querer consertar tudo e todos.

Não podemos idealizar uma pessoa, muito menos nossos possíveis parceiros. Ninguém é príncipe. Simples assim. Pode ser uma visão triste, pessimista e até mesmo desencorajadora da vida, mas é real, assim como devem ser os nossos relacionamentos. Não devemos dar espaço para falsas expectativas. O nosso par, dificilmente, vai reunir todas as características que tanto desejamos. Ele não vai ser o cara mais bonito da cidade. O charme pode ser uma característica irreconhecível nele. A simpatia não será tão evidente. O bom-humor vai depender muito de como ele acordou. Vai levar uma vida de súdito, provavelmente. Vai voltar bêbado para casa muitas vezes. Vai vomitar na nossa frente outras tantas. Certamente nos trocará por qualquer jogo de futebol. Se dermos sorte, não vai ter vícios tão prejudiciais à saúde. Isso, entre tantas outras “normalidades”, que todos nós temos.

Pessoas perfeitas não existem. Os príncipes e princesas encantadas também não. Apesar de tentarmos disfarçar, os defeitos são inerentes à condição humana. Nem todos os nossos sentimentos são tão sublimes. Por isso eu penso que, em vez de irmos atrás de um príncipe, temos que ir a busca de um Shrek. O verdinho não é nenhum modelo de beleza, é desajeitado, rabugento, vive no pântano, se esforça para ser sociável, tem amigos estranhos, vive tomando decisões erradas e se mete em encrenca com muita facilidade. O Shrek nos faz lembrar que todos temos um pouco de ogro na nossa personalidade, que temos erros e acertos. Ele está “tão tão distante” de ser uma criatura perfeita. Ele é... normal.

Contudo, o principal não falta: ama de verdade a mulher que escolheu. O verdadeiro príncipe é o Shrek.

domingo, 18 de julho de 2010

Mulheres lembram! Ah, se lembram!



Hoje me perguntaram como nós mulheres conseguimos nos lembrar de uma frase que o cara disse há muito tempo, em um passado quase remoto. De onde tiramos esse talento para lembrar com detalhes uma situação que aconteceu tanto tempo atrás? Seríamos nós portadoras de algum gene especial para ter uma memória bem-dotada nos assuntos referentes a homens?

A questão me parece muito simples. Acontece que os homens (os de verdade, pelo menos) não levam desaforo para casa. E as mulheres, que carregam a forte necessidade de se comportarem de maneira oposta aos homens, simplesmente não se importam em levar desaforo pra casa. Aliás, não gostamos nem um pouco daquela agressividade masculina, que se mistura com a arrogância, vai inflando o ego e que quase sempre acaba mal. Eles adoram demonstrar a sua macheza e, para isso, não aceitam levar desaforos para casa. E, ainda hoje, não perceberam que para ser macho não precisa ser agressivo. Os tempos mudaram, bonitinhos! E do jeito que a coisa anda, a virilidade está cada vez perdendo importância.

Então, as mulheres “guardam” o desaforo, a reclamação ou a informação-que-pode-ser-útil-futuramente “bem guardadinho”, em um lugar especial do nosso capcioso cérebro, para que possamos utilizar no momento mais oportuno que encontrarmos. A informação fica em standby nos recônditos da mente feminina, aguardando ansiosamente pelo momento certo de dar o bote, digo, de se manifestar. A usamos somente quando acharmos melhor, quando for conveniente. Se é justo ou não, eu já não sei. Eu acho muito cômodo. Se essa é realmente uma habilidade feminina, por que não exercitá-la?

E vem cá, por que vocês homens se contradizem tanto, hein? O mínimo que exigimos é coerência!

quinta-feira, 15 de julho de 2010

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Palavras e pessoas



Prefiro palavras a pessoas. Pessoas são mentirosas. Pessoas não se importam com outras pessoas. Palavras são sempre sinceras. Pessoas te decepcionam, palavras não. As palavras estão sempre junto com a gente, pessoas nem sempre. Pessoas nos enganam, as palavras nunca. Pessoas nos tiram o sono, muitas vezes não nos deixam dormir; nessas horas, só as palavras podem ajudar. Pessoas não têm palavras. As palavras sempre nos acompanham, nunca nos deixam sós, não tiram férias, ficam do nosso lado, não nos ignoram. Palavras nos completam como nenhuma pessoa consegue. Palavras não nos usam como melhor lhes convier. Palavras não brincam com os sentimentos alheios. Palavras são fiéis. Palavras sabem se expressar. Pessoas vão e vêm das nossas vidas. Palavras ficam.

Pessoas nada têm a ver com palavras. Pessoas são sentimentos. E sentimentos não se traduzem em palavras. Não conseguem, são menores, incapazes, limitados. Pessoas não sabem fazer bom uso das palavras. A grande maioria, com perdão da redundância, não sabe nem escrever direito. Quem dirá entender e usar as palavras de forma adequada... Palavras nunca são em vão. Palavras nunca são só palavras. Pessoas usam outras pessoas porque não sabem usar as palavras. Não acredito mais nas pessoas. Perdi a fé que nunca tive. De hoje em diante, serei só palavras. Quando todos vão embora, lá estão elas: as palavras. Só restam elas. Só me restam elas.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Escrevendo amor



Sempre gostei de bons filmes. E bom filme pra mim é aquele que tem um bom diálogo entre os personagens. Gosto de Almodóvar e Woody Allen; gosto de cinema europeu e argentino. Muitas vezes, os melhores filmes são os subjugados, os excluídos, os que não são caros, os que não têm as melhores produções, os que não têm os melhores atores. Tudo bem que a fotografia de um filme ajuda bastante, mas isso é outra história...

Ontem vi um filme simples, sem grandes (ou nenhuma) pretensões. Nem consigo categorizar. Uma espécie de comédia romântica, eu acho. Do tipo que nunca gostei. Mas essa conseguiu me comover. E tenho vergonha por isso. É uma historinha boba, o texto é piegas demais. Acho que me conquistou pela simplicidade mesmo. O nome do filme é “Escrevendo amor”.

A história é baseada em um (quase) casal, um escritor e uma editora. Ambos estão em busca das palavras perfeitas, das palavras que vão responder as incertezas da vida, das palavras que vão consertar tudo. O filme mostra pessoas que não sabem lidar tão bem com pessoas, com a vida, com decisões e usam as palavras para buscar essas respostas.

Preciso reconhecer que me identifiquei muito com a personagem da editora. Era uma ótima leitora. Sabia ler nas entrelinhas, fazia ótimas interpretações do que lia, sabia analisar uma pessoa como ninguém a partir de seus textos. Tinha a agressividade de quem lida melhor com palavras do que com pessoas.

O filme não é tudo isso. Mas super recomendo pra quem está de férias e gosta de palavras. Segue abaixo algumas poucas passagens do filme.

“[...] Esqueça os pensamentos, preocupe-se com as ações, o protagonista tem que fazer alguma coisa, alguma coisa ousada, um ato de valentia, perigosa, alguma coisa como... escrever, o que poderia ser mais difícil do que expressar seus pensamentos e sentimentos mais profundos no papel? O herói pode escrever uma história. [...] O momento é crucial, enquanto a heroína contempla a futilidade de sua existência sem amor [...]”.

“[...] Ela está desesperada, inconsolável. A maioria dos textos só diz besteiras, mas quem pode saber melhor isso do que a pessoa cujo dom é ler o que esta por trás das palavras, as minhas palavras [...]”.

“[...] As decisões têm que ser simples, não, tem que ser satisfatórias, isto é romance, exige um grande gesto romântico [...]”.

“[...] Só quando somos impulsivos é que somos honestos com a gente? [...]”.

“[...] Às vezes, “vulnerável” pode ser muito confortável [...]”.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Sim ou não



Não gosto dessa vida de meios termos. Sou sim ou não. Sou amo ou odeio. Ou vai ou racha. Oito ou oitenta. Não gosto de coisas pela metade. Não gosto do talvez, do mais ou menos. Não gosto de incertezas. Prefiro ficar sem a ter uma possibilidade. Prefiro ir embora de uma vez a ficar pra conhecer o final da história. Aliás, gosto de finais, de despedidas, de encerrar ciclos. Gosto de terminar relacionamentos. Gosto de começar relacionamentos. Gosto de vivê-los intensamente.

Gosto de brigar e de ficar quieta. Gosto de reclamar, mas ninguém sabe agradar tanto quanto eu. Sei ser amada e sei ser odiada. Não gosto de MSN, mas o meu fica on até as 03hs da manhã. Falo muito com pouca gente. Não gosto de dormir cedo, muito menos de acordar cedo. Gosto agora, odeio trinta segundos depois, amo cinco segundos após. Não tenho problema em assumir quem eu sou. Aliás, não gosto de anônimos, gosto de gente que se mostra, de gente intensa, que dá a cara pra bater, que se assume. Gosto de gente que me diverte e de gente que me cansa. Gosto dele. Odeio ele. Odeio as incertezas dele, mas não mais que as minhas. Gosto de coisas fortes. Gosto de comida apimentada. Gosto de desconstruções harmoniosas. Gosto de escrever, mas só penso em encerrar o blog. Não gosto de falar de mim, embora seja muito transparente. Gosto do difícil, do que me desafia, daquele que me confronta. Tenho um péssimo ótimo bom gosto.

Sou volúvel. Não sei ser fútil. Adoro elogios, mas não sei elogiar. Sou uma princesa sem príncipe. Não quero um príncipe porque não sou princesa. Não tolero erros de português, mas tenho preguiça de digitar os acentos. Gosto das entrelinhas, das mensagens subliminares, das indiretas. Gosto de quem me lê, por completo. Gosto de quem tem talento. Sou autosuficiente. Sou boba. Sou terrivelmente segura. Tenho medo de dormir com chuva forte.

Não tiro os pés do lugar, mas desço até o chão. Tento passar despercebida, mas nunca consigo. Não fico indiferente nunca. Adoro chamar a atenção, assim como adoro a discrição. Hedonista convicta, sofro por qualquer coisa. Sou uma RP jornalista. Sou uma vilã-mocinha. Sou uma protagonista-antagônica. Não sou tudo isso, sou muito mais.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Dançar, dançar, dançar



Ir pra praia. Esquecer-se da vida. Esquecer-se do mundo. Festejar. Dançar. Dançar sem parar. Freneticamente. Esquecer o próprio nome. Dançar loucamente até o amanhecer. Dançar como se fosse o último dia de nossas vidas. Dançar como se o mundo fosse acabar em poucas horas. Dançar como se ninguém estivesse olhando.

Sentir o sol do amanhecer bater no rosto. Sentir o cabelo contra o vento. Sentir a maresia. Sentir o calor dos primeiros raios de sol. Sentir que a vida vale a pena. E que somos maiores do que qualquer coisa. Derrubar obstáculos mentais. Deixar acontecer. Deixar fluir. Sem ter pressa. Sem pensar. Afinal, nada mais é importante.

Acelerar o coração. Celebrar. Sentir a música entrar pelo corpo. Felicidade. Êxtase. Liberdade. Ouvir as batidas do coração em compasso com a música. Harmonia com o ambiente, com a vida, com o mundo. Suavidade, leveza, clareza. Só sentir. Parar o mundo. Só pra mim. Abrir os olhos.

Se soltar. Aliviar. Elevar o espírito. E a alma. Desestressar. Efetuar movimentos espontâneos. Viver intensamente, até o fim, como deve ser a vida. Ritmo. Sem medo, sem vergonha. Bem sem vergonha.



When love takes over (yeah-ah-eah)
You know you can't deny
[…]
Give me a reason
I gotta know
Do you feel it too?
Can’t you see me here all alone
And this time I blame you
Looking out for you to hold my hand
It feels like I could fall
Now love me right, like I know you can
We could lose it all
[…]
Tonight, I'll be loving you all the time, it's true
'Cause I wanna make it right with you
[...]
When love takes over....