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quarta-feira, 13 de julho de 2011

Eu me importo, tu me importas




Meu bem, um dia tu vais entender e me agradecer. Um dia tu vais deixar essa teimosia boba de lado e vai perceber que eu sempre fiquei do teu lado.

A gente vive numa época em que as pessoas se preocupam somente consigo, sem se importar com os outros. Estamos no tempo em que ninguém mais olha nos olhos, só dando importância pro próprio umbigo.

Eu sempre me importei contigo, sempre olhei nos teus olhos, sempre li tuas entrelinhas, sempre entendi teu silêncio e tuas palavras ásperas. Sempre prestei atenção nas tuas crenças, nas tuas indecisões, em tudo o que te paralisa. Desde que te conheci gasto minhas energias contigo, sempre insistindo.

E quem se importa de verdade com a gente, nunca desiste. Se chorando ou se sorrindo, estarei sempre aqui, me importando contigo. Eu me importo porque tu me importas.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Olhos caídos

 


Hoje eu morri mais um pouquinho.

Eu imaginava que existisse felicidade por aí. Pensei que veria olhos de deslumbramento, de alegria, e não olhos maltratados pelo tempo mal gasto. Sempre achei que fosse encontrar olhos apaixonados, “leves”, vibrantes, cheios de contentamento. Nunca acreditei que veria olhos de rotina, desconfiados, inseguros... Nem desconfiei que ainda encontraria olhos tristes, traumatizados, cansados.

Eu já vi olhos felizes, então sei como é. Não tem disfarce que adiante. Eu reconheço a falta de felicidade de longe. Hoje, vi olhos que não me convenceram, vi olhos fingidores, sofredores. Não é nada bom ver olhos mergulhados em desespero, se afogando em mares lodosos, sem poder ajudar. Aos meus olhos, só restam observar as tragédias anunciadas.

Hoje, ignorei olhos que me imploraram socorro. É que eu sempre preferi olhos corajosos.

Hoje, entendi que olhos depressivos têm brilho. Só depende do referencial.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Olhos



Olhos ávidos, atentos. Olhos que compreendem tudo o que vêem e por isso estão sempre há procura de algo diferente. Buscam qualquer coisa singular, por menor que seja; qualquer coisa que possa causar um ponto de interrogação. Olhos capazes de entender uma pessoa bem mais do que ela própria se entende. Olhos que sabem separar emoção de razão. Olhos de leitura dinâmica, de leitura profunda. Olhos que lêem – no mais profundo significado do verbo – o que está escrito e o que não está. Olhos que sabem ler o que está escrito nas entrelinhas, nas mensagens subliminares ocultas. Olhos que enxergam o significado intrínseco, que enxergam o implícito. Olhos que, ao ler, são capazes de compreender o que a pessoa pensou na hora em que escreveu. Olhos que analisam todas as vírgulas, todos os pontos finais, cada exclamação, as repetições, cada letra ausente nas abreviações. Olhos que enxergam padrões em tudo o que lêem e que por isso procuram resquícios da menor alteração possível, em busca de algo que fuja do comum. Olhos que gostam do inesperado que quase nunca acontece. Olhos que entendem as coisas antes de elas acontecerem.

Os mesmo olhos que brilham a cada vez que enxergam um futuro feliz são os que caem em lágrimas cada vez que lembram o passado.

São olhos que se curvam a cada vez que mentem para o seu dono. Olhos que não fecham à noite e ficam vagando pela escuridão.